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Há quatro anos, um grupo de pessoas teve a ideia de criar o Projeto Totipah, uma comunidade que abrigasse pessoas carentes e aqueles que não se encaixam em um mundo de cobranças, preços e medos.

Não deu certo. Eles elaboraram então a Casa Totipah, que também não vingou. Enfim, surgiu a Tribo Totipah, na qual trataram de pegar esses mesmos ideais e levá-los estrada afora, em cima de bicicletas.

O objetivo é chegar até o Alasca, no extremo noroeste da América do Norte. Marcelo, de 33 anos, escritor e criador do projeto, saiu de Salvador em fevereiro do ano passado. Meses depois, quando o grupo passava por Natal, entrou Lizandro, 20. Ao todo, até sete pessoas já pedalaram juntas.

“A priori, não iria viajar com eles, porém, logo mudei de ideia”, contou Lizandro à nossa reportagem. Da troca de olhares, o interesse aumentou. “Em 1º de maio de 2017, o Marcelo me pediu em casamento e oficializamos o relacionamento.”

Na semana passada, a viagem já havia batido 8 mil quilômetros e o casal estava na etapa final do percurso no Brasil. “A previsão de chegada ao Alasca é em um ano e meio. A volta ainda não é certeza. Tudo pode acontecer”, afirma.

Tragédias, infelizmente, também estão no histórico. A mais grave foi a morte de Alexia, que pedalava junto ao grupo, e foi atropelada a 30 Km de Natal, no ano passado, enquanto desciam uma ponte em uma ciclofaixa. A moça caiu, ficou em coma por três dias e faleceu.

Perto de uma perda como essa, as dificuldades pelo caminho são tiradas de letra. “No geral, são as noites mal dormidas nos postos, que geralmente só liberam os espaços tarde da noite”, explica Lizandro. “Peças de baixa qualidade nas bikes, o que aumenta a frequência de troca e manutenção também são um problema.”

“Porém, no Brasil as portas estão normalmente abertas. Nosso povo é muito generoso. Ainda há uma grande interrogação a respeito de como vamos nos manter fora do Brasil num projeto com pouco recursos”, diz.

Homofobia
“Medo é algo que não existe no coração de um Totipah. A situação mais extrema que já passamos foi quando dois ex-presidiários dividiam uma varanda com a gente e passaram a noite reproduzindo discurso de ódio, falando sobre Bolsonaro, armamento e morte a LGBT Tudo isso enquanto nós dois dormíamos numa só rede”, relembra.

Patrocínio
“Nosso patrocínio é o povo brasileiro’. Essa resposta é automática quando perguntam”, explica. “As pessoas do caminho ou as que acompanham nossa trajetória pelos meios virtuais (Facebook, Instagram, blog) são as que nos ajudam. Casa, comida, roupa lavada, contribuições bancárias, água…”

“Para as principais refeições, sempre conversamos com os restaurantes. Para alguns materiais, já conseguimos ajuda em alguns grupos de ciclismo nas cidades em que passamos.”

Eles avisam que quem fizer doação por depósito em conta bancária deve enviar um e-mail tribotitpah@gmail.com e informar seu endereço. O motivo? Em alguns anos, uma lembrança surpresa pode chegar à casa dos doares.

Diz aí, o que achou?

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