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O que aconteceria se o maior craque de um grande time de futebol atual no Brasil anunciasse que é gay? Segundo a história em quadrinhos “O outro lado da bola” (Record), o país não reagiria tão bem, e a revelação poderia abalar diversos setores da sociedade muito além do esporte.

Escrita pelos roteiristas Alê Braga e Alvaro Campos, e ilustrada por Jean Diaz, a HQ narra todos os desdobramentos a partir do momento em que Cris, grande astro do fictício Alvinegro Paulista, anuncia que é gay em rede nacional, abalado pela morte violenta de seu namorado.

Na história, não demora para que as repercussões ultrapassem os limites do estádio e até do clube. Torcidas organizadas, patrocinadores, deputados e até organizações religiosas têm algo a dizer sobre o assunto na obra.

Para ele, não há como contar essa história sem envolver todas essas áreas delicadas. “Futebol, religião e política são áreas em que há umas certa permissão para mostrar coisas que em outros lugares não são aceitas.”

Campos teve a ideia da história durante uma conversa com jornalistas esportivos, sobre um jogador não identificado que poderia divulgar sua homossexualidade. Ao longo dos anos, durante a pesquisa para o livro, ficou claro que não tinha como ficar limitado ao que acontece apenas nos gramados.

A pesquisa também envolveu conversas diretamente com jogadores profissionais, sob a promessa de que nenhum nome fosse revelado. “A gente foi batendo um papo, mas era difícil, porque é um tema muito tabu para eles”, conta Braga.

“Todo mundo com quem a gente conversou tinha histórias de um amigo, nunca era deles. No mundo do futebol todo mundo tem esse amigo.”

Tanto Braga quanto Campos têm experiências no cinema, então a escolha por quadrinhos para conta a história de Cris misturou lógica com emoção. Além de amar HQs, os dois acreditam que se tratava do melhor veículo para fazer o público geral refletir sem soar professoral.

Para ele, a história de “O outro lado da bola” deve acontecer a qualquer momento, já que “70% do que contamos ali é baseado em fatos”. A grande diferença será na circunstância.

“Se acontecer no mundo real, e vai acontecer, será com algum grande atleta que vai se planejar, será melhor assessorado para facilitar a aceitação do público. Não vai fazer de supetão, que serviu para aumentar a dramaticidade da nossa ficção.”

Mesmo assim, o projeto pode virar filme ou série em breve. Braga conta que já escreveram muita coisa além da HQ, e que estão em negociações para levar a história para algum formato de tela.

Diz aí, o que achou?

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