Nos Estados Unidos, a assustadora quantidade de tiroteios em escolas, finalmente, está chamando atenção do mundo. Muito disso, graças a um movimento estudantil nascido logo depois ao atentando em Parkland, que ocorreu em 14 de fevereiro deste ano, quando o colégio Marjory Stoneman Douglas High School foi invadido por um ex-aluno, expulso por indisciplina, chamado Nikolas Cruz, de 19 anos. Com uma metralhadora, ele começou a disparar contra os alunos e professores, resultando na morte de 17 pessoas, sendo 13 dessas, menores de 18 anos. Após o caso, alunos do país inteiro se uniram pelo fim da venda de armas sem regras rígidas.

Com esse, foram oito atentados em colégios pelos Estados Unidos só em fevereiro de 2018. Os números são alarmantes e, por isso, muitos jovens norte-americanos se juntaram nas redes sociais para discutir o tema e questionar como é possível pessoas, como o atirador de apenas 19 anos, conseguirem comprar armas de uso militar legalmente, sem maiores problemas.

Para demonstrar o luto e a revolta, então, um grupo de alunos da escola Marjory Stoneman Douglas High School (MDS, como os alunos chamam) se uniu e organizou uma marcha nacional que aconteceu dia 24 de março.

Chamada de “March For Our Lives” (Marcha Por Nossas Vidas), ela teve como principal função mostrar a indignação dos alunos com as leis, segundo eles, ultrapassadas e se juntar para falar de todos os problemas causados pela famosa Segunda Emenda que diz: “Sendo necessária à segurança de um Estado livre a existência de uma milícia bem organizada, o direito do povo de possuir e usar armas não poderá ser impedido.”

A iniciativa, inédita, abriu um debate gigantesco nos Estados Unidos e, de fato, pode gerar alguma mudança. Esses jovens revolucionários provam como é possível, após pressão popular, sugerir e até mesmo transformar sistemas antigos que não funcionam mais – se é que já funcionaram.  Abaixo, a gente separou alguns dos rostos dessas crianças que estão fazendo um trabalho incrível.

Conheça um pouco mais sobre eles!

Emma Gonzalez

A maior representante do movimento, com certeza, é Emma. Aos 18 anos, ela cursa o último ano do Ensino Médio e a é presidente da liga gay-hétero do colégio. Ela se considera bissexual e já era politicamente ativa antes de toda a tragédia.

Além disso, é uma aluna aplicada, participa do grupo de astronomia do colégio, líder do time de corrida da escola e queria cursar ciências na universidade.

Ela ficou conhecida e se tornou uma representante a partir do discurso que fez dois dias após a tragédia. E continuou mostrando sua posição firme na passeata com um discurso arrepiante.

Ao contrário muitos acreditam, o corte de cabelo da menina não tem ligação com o tiroteio, mas sim um gosto apenas dela que quis assumir e teve coragem finalmente para cortar.

Cameron Kasky

Cameron está no penúltimo ano do Ensino Médio e tem 17 anos, ele participa do grupo de teatro da escola e fundou a tag #NeverAgainMSD (NuncaMaisMDS) com seu melhor amigo Alex Wind, que procura evitar a repetição dos eventos que levaram ao tiroteio que aconteceu na própria escola dele.

Ele ficou conhecido, também, por perguntar diretamente para o Senador ultraconservador Marco Rubio, após ele dizer entender e simpatizar com o caso dos alunos, se ele não aceitaria mais doações da Associação Nacional de Rifles (NRA), que já havia doado para o político e basicamente é contra a proposta dos alunos por um Estados Unidos com controle de armas.

Sarah Chadwick

Sarah foi uma das primeiras a falar sobre o tiroteio em seu colégio e é conhecida por ser muito ativa nas redes sociais, principalmente no Twitter, que ela usa principalmente para expor sua visão e ir contra os políticos e representantes do NRA que desmerecem os esforços dela e de seus colegas de procurar maior segurança para todos.

Em um dos seus momentos mais reconhecido do Twitter, Sarah decidiu responder ao vídeo de Dana Loesch, representante do NRA desde Parkland. No vídeo de Dana, ela comenta sobre todos os grupos contra a sua associação e que muitos estariam mentindo e modificando o que é dito pelo NRA, acusando inclusive, indiretamente, os alunos de Parkland.

Sarah, em resposta, copiou todo o vídeo, mudando um pouco apenas a estrutura do texto para mostrar aquilo que o March For Our Lives acredita, e falando do problema que o NRA tem. E no final ela decidiu ser direta com a representante da associação: “Para todas as representantes com ampulhetas (usada no vídeo original e na paródia) que usam a voz para diminuir o que nossa bandeira representa… Seu tempo está acabando. O cronômetro começa agora”, ela termina seu breve discurso em vídeo.

Jaclyn Corin

Jaclyn, estudante aplicada e representante de classe, não se considerava uma ativista até o dia do tiroteio, como explicou para a “The New Yorker”. A perda de um amigo querido neste dia a abalou e deu força para lutar pelo que acredita ser certo.

Ela foi uma das primeiras a se reunir para poder mudar a visão das pessoas e continua na luta: ela organizou e se juntou a outros movimentos contra o armamento da população, como sobreviventes da balada Pulse.

No dia da Marcha Por Nossas Vidas, ela foi uma das organizadoras e teve seu próprio momento quando pediu diretamente para todos pensarem em quem estão votando, e que não será aceito deixar de lado o tiroteio.

Naomi Wadler

Ela tem apenas 11 anos e não estuda no colégio MDS e, mesmo assim, está fazendo a diferença. Tão nova, após saber dos 17 mortos, ela combinou uma caminhada pelo jardim da escola dela, para mostrar solidariedade aos mortos. 

Mas não foram 17 minutos de silencio, e sim 18, pois ela não esqueceu de Courtlin Arrington, garota negra morta em umaescola, no Alabama, em março. Naomi viu a necessidade de falar sobre ela pois o caso que ocorreu pouco depois de Parkland não teve tanta repercussão, assim, como Sadler diz, o gesto seria para mostrar que as mulheres negras não foram esquecidas.

O discurso da menina foi ovacionado e emocionou a todos, inclusive o momento em que ela explicou direito que não é marionete de ninguém, e que apesar de nova, continua vendo o que está acontecendo ao seu redor e que falará sobre isso.

Aalayah Eastmond

Aalayah tem 17 anos e estava aprendendo sobre o Holocausto quando o tiroteio começou. Ela marchou apenas por um menino, Nicholas Qwert, que faria aniversário exatamente no dia que aconteceu a marcha.

O motivo de escolher este menino é simples, ela se escondeu embaixo do corpo dele e se fingiu de morta para que o atirador não a matasse. “Nenhum estudante deveria se cobrir com o corpo de um colega falecido para sobreviver… Eu era esse estudante”, ela discursou durante a marcha.

Eastmond estava em sua sala quando ouviu os tiros, ela e dois colegas, Nicholas e Helen, se esconderam. Quando Aalayah viu Helen cair e em seguida Nicholas, ela se escondeu embaixo do colega e ficou esperando até o pior passar. 

“Eu achei que os pais do Nicholas – o menino que usei para me esconder – iriam estar com raiva de mim. Mas eles me abraçaram e agradeceram por eu estar viva”, ela falou para a NBC.

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