Entrevista Walkiria La Roche

Walkíria La Roche formou-se em Educação Física pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, especializando-se em Gestão de Políticas Públicas pela Pontifícia Universidade Católica - PUC, focando sua carreira no ativismo pelos Direitos Humanos.

Atuou como líder da Associação de Travestis e Transexuais de Minas Gerais (Asstrav) e ministrou aulas no Centro de Treinamento da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, capacitando agentes de segurança pública, na área de educação de direitos humanos. Nesses treze anos como docente, houve grandes avanços acordados entre as polícias e os militantes da causa LGBT, sendo a inclusão em 2004 de diretrizes com um capítulo específico em direitos humanos, abordando as homossexualidades em questões de provas em concursos públicos.

Seu trabalho pode ser considerado diuturno, pois ensina, monitora, cobra e denuncia, através de parceria com as polícias. Foi também membro da Câmara Técnica de segurança pública da Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP. e ocupou a cadeira no Conselho Estadual dos Direitos Humanos, durante dois mandatos.

Coordenou o Centro de Referência da Diversidade Sexual do estado, tendo sido nomeada, em 07 de janeiro de 2006, pelo então governador Aécio Neves, tornando-se a primeira transexual a ocupar um cargo executivo no governo mineiro, trabalhando na discussão da inclusão social LGBT e na criação de políticas públicas voltadas à categoria. “É uma discussão relacionada aos direitos humanos”, afirmou.

O referido Centro foi criado pela Lei nº 14.170/02, a qual proíbe todo e qualquer tipo de discriminação por orientação sexual em estabelecimentos públicos e privados, tendo sido substituído em 20/01/2011, através da Lei Delegada nº 180, pela CODS – Coordenadoria Especial de Políticas de Diversidade Sexual, na qual Walkíria La Roche, desde então, desempenha com maestria o cargo de coordenadora, dando continuidade ao trabalho. Essa substituição ocorreu em razão da necessidade de se aumentar o espaço e o trabalho realizado, em razão da enorme proporção alcançada, desde sua criação, dentre eles, podemos destacar:

ü  A criação de alas específicas para travestis e gays no sistema prisional;

ü  A criação, em parceria com a polícia civil, do NAC – Núcleo de Atendimento à Cidadania, voltado para a população LGBT;

ü  A conquista dos direitos previdenciários e beneficiários a servidores públicos e militares;

ü  A conquista da resolução que garante o nome social aos travestis e transexuais, no âmbito do poder público executivo estadual.

E, em breve, a criação do Conselho Estadual de Cidadania LGBT aos moldes de todos os outros conselhos existentes.

Walkíria La Roche declara, ainda, que nada disso seria possível sem a postura assumida pelo governo do Estado de Minas Gerais abraçando, em conjunto com a militância, a importância social desta causa.

Não há como desvincular a figura pública da pessoa de Walkíria La Roche. Ambas caminham juntas. A sua popularidade foi conquistada ao longo do tempo, criando, assim, condições que a fizessem ser escutada em outros meios da sociedade, lutando pelos direitos LGBT. “Minha militância não se dissocia da história da minha vida”, diz. Mineira de Belo Horizonte, sofreu todos os tipos de preconceito comuns às minorias. “O nosso segmento é o mais aviltado e vilipendiado em seus direitos”. Apesar disso, foi à luta.

Para Walkíria La Roche, o termo homofobia pode ser definido como “aversão, o medo ao igual”, podendo ser internalizada ou latente, quando as pessoas não conseguem lidar com o diferente, sentindo aversão, repulsa, chegando até mesmo a matar a outra pessoa. Existe todo tipo de agressão e de violência em desfavor do diferente, ”ao dito diferente pela sociedade”. Todos os crimes cometidos em desfavor ao cidadão ou cidadã LGBT são crimes de ódio, pois são sempre com requintes de crueldade, amputando órgãos genitais, queimando e esquartejando corpos, entre outras ocorrências inaceitáveis. A situação da violência no estado de Minas Gerais é complexa, pois de 2007 a 2009 foram recebidas mais de 900 denúncias de agressões, tanto físicas quando psicológicas, contra homossexuais.

Em manifestação sobre o Estado de Minas Gerais, relacionado a fatores preconceituosos, ela declara que os mineiros são vistos como tradicionalistas, moralistas e muito religiosos. Porém, ressalta sobre a existência de uma lei municipal e uma lei estadual que garantem os direitos dos homossexuais. Há, também, o dia 17 de maio, o qual trata-se do dia estadual de combate à homofobia e o dia 28 de junho que é o dia internacional do orgulho gay, sendo também o dia municipal em Belo Horizonte de combate à homofobia, um contraponto a que vêm equiparar os direitos LGBT em relação aos direitos dados e garantidos em outros estados.

Um dos projetos que teve repercussão e aceitação no estado denomina-se “Minas sem Homofobia”, onde foi realizada a construção de um plano envolvendo a participação de mais de 300 municípios. Posteriormente foi lançado um livreto com informações e dicas para que o público LGBT possa se proteger no dia a dia. Esse guia é uma publicação do Governo do Estado de Minas Gerias em parceria com o Ministério Público Estadual.

Nesse mesmo período, houve a publicação de um livro em parceria do Ministério da Educação e Cultura (MEC) com a UNESCO. A coleção “Educação Para Todos” acaba de lançar seu 32º volume, desta vez dedicado ao tema da homofobia dentro das escolas. O material traz em suas páginas reflexões sobre a produção e a reprodução da homofobia na educação, especialmente no contexto da escola e nos espaços ligados a ela, o qual pode ser baixado gratuitamente através do link:

http://unesdoc.unesco.org/images/0018/001871/187191por.pdf

Walkíria La Roche demonstra ter grande orgulho por representar os interesses da causa LGBTs, afirmando que “ainda há muito o que fazer”, deixando claro que não galgou sozinha os passos que a trouxeram até onde se encontra atualmente, tendo contado com o apoio da sociedade, militância e do governo do Estado de Minas Gerais. Hoje ela também divide o trabalho em prol dos direitos LGBT com a função de hostess da boate Josefine, situada em Belo Horizonte, onde poderá ser encontrada todas as quintas-feiras e sábados, a partir das 23:00 hs ou através do E-mail:

 

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